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Caminho das Indias: casamentos arranjados

Pode soar estranho pra nós mas, na Índia, o costume é que os casamentos sejam assim, “arranjados”. Como também soa estranho, para eles, nosso costume de deixar que os nossos  sentidos escolham os nossos pares.

Quando se trata de casamento, nada de  “corações disparando”, “atrações de pele”…! É claro que tudo isso acontece, afinal  os sentimentos humanos são os mesmos em qualquer parte do mundo. Mas na India não se considera que esse seja um ponto de partida confiável para se construir um casamento.

Para o indiano, o amor é uma construção do dia a dia. E o ponto de partida, a base de um casamento auspicioso, não está no emocional: os noivos devem pertencer à mesma casta -o que significa que suas famílias tem os mesmos costumes e os mesmos valores, seus horóscopos devem combinar.

Eles  fazem uma analogia entre o casamento e uma chaleira com água: dizem que nós casamos quando a água está fervendo, e durante o casamento ela só faz esfriar! eles se casam com a água fria, e durante o casamento a fazem ferver.

A professora Sandra Bose mostra, nesse video, o caderno de casamento do jornal de domingo na India

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Curiosidades de Caminho das Índias: Manglik

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Muitas pessoas ficaram curiosas com as cenas em que o sacerdote diz que Maya é uma “manglik”, uma amaldiçoada para o amor: Manglik é uma pessoa -homem ou mulher- que nasce sob determinada conjunção astral, e vai trazer má sorte para quem se casar com ela.

Para entender isso temos de começar pela importância do horóscopo na cultura indiana. Nasce a criança, imediatamente se faz seu horóscopo, e ele é guardado como um documento. Quando se procura um casamento, antes de se fechar o acerto, o sacerdote compara os horóscopos para saber se a união será auspiciosa.

Logo, ser manglik é um transtorno, um desgosto dentro de uma família. A não ser que o noivo (a), seja  manglik também: aí as forças se equilibram e não haverá risco para o consorte.

Mas há sempre uma maneira de driblar os astros: o sacerdote pode oficiar a cerimonia de casamento do manglik com um vegetal, um animal, algum elemento da natureza: depois disso ele poderá casar com um humano, porque a maldição já atuou sobre aquele primeiro noivo (a).

Aishwarya Rai foi Miss Mundo, é a maior estrela do cinema indiano, e transita com a maior desenvoltura em Hollywood e nos red carpets do mundo inteiro.  Sendo manglik,  teve de se casar com uma árvore antes de se casar com seu marido, o também ator Abishek Bachchan. Ela foi a inspiração para o casamento de Maya com a bananeira.

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 Para quem se interessa pelo assunto, nesse site você encontra pessoas mangliks procurando casamento. CLIQUE AQUI

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Caminho das Indias: o etnocentrismo em cena

Raj e Duda

A cena em que Raj diz a Duda porque não pode se casar com ela é um exemplo muito interessante de como as diferenças culturais possibilitam leituras equivocadas.

Como muitos indianos, Raj estudou na Inglaterra e tornou-se um empresário bem sucedido internacionalmente. Mas é um indiano, como um inglês continuará sendo um inglês, um americano um americano, um brasileiro um brasileiro, ainda que transite com traquejo pelo resto do mundo.

A visão etnocentrista do ocidente faz parecer que uma cultura diferente se “civiliza” quando em contato com a nossa -como se fôssemos o umbigo do mundo. Ledo engano!

O conflito de Raj é ter de optar entre a família e o amor. E essa opção é bem mais complexa dentro da cultura indiana. Optar pelo amor significa, para Raj, ser banido da família e da casta.  Um homem sem casta e sem família seria um pária social.

E como não temos nem castas nem a mesma configuração de família, lido pelos parâmetros da nossa cultura não há conflito aí: há cafagestagem. Não se pode supor que um empresário bem sucedido, um homem do mundo, não se case com a mulher que ama porque a família não quer. “A família se conquista depois, nascido o primeiro filho é certo que eles se dobrem. Assim costuma acontecer no Brasil, de modo que são esses os argumentos de Duda.

Quando Raj não cede, ela só pode supor que o motivo do rompimento seja outra mulher. E diz que perdoa, passa a borracha por cima, esquece a traição, desde que continuem juntos. Agora quem se surpreende é Raj: como é possível que possa ser tão fácil pra ela entender a existência de outra mulher na vida dele e não entender a importância de um rompimento com a família?

Eles estão falando de pesos e medidas diferentes. Nos somos individualistas. Nosso objetivo maior é a nossa realização pessoal. Para o indiano, é o equilíbrio do conjunto. Os desejos individuais devem se subordinar sempre a esse equilíbrio.

Por isso Ghandi diz que relutou muito em fazer sua biografia, porque nunca pôde entender que importância poderia ter a vida de um indivíduo.

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Caminho das Índias: Laksmi e os comerciantes

Manu

Manu

Vocês viram que Manu não fechou a compra dos computadores porque era sexta-feira, dia de  Laksmi.

Laksmi é a manifestação divina da beleza, da fartura e da prosperidade.

Claro, é a divindade que protege a casta dos comerciantes.  Seu dia é a sexta-feira. Portanto, na sexta-feira    não se deve abrir a carteira: o dinheiro não sai, só entra.

E se um casamento cai na sexta feira, faz-se a festa mas não se entrega a noiva: a moça da casa é a Laksmi da família. Deixa-la ir embora no dia dedicado à deusa não seria nada auspicioso!

LAKSHMI

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Curiosidades sobre Caminho das Indias

O sacerdote que vemos atrás da noiva é um importante físico nuclear do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais): Udaya B. Jayanthi deu aula em Universidades brasileiras, especialmente em SP, e tem artigos publicados na revista Nature.

Sendo um brâmane, o sr Jayanthi tem como dever de casta oficiar e orientar atos religiosos do hinduísmo. Fez isso em Caminho das Indias.

É interessante que, entre nós, quanto mais a pessoa se aprofunda na ciência, mais se afasta da idéia de Deus. Na Índia é o inverso!

casamento Komal

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