Uma questão polêmica

Não é muito difícil entender como chegamos a isso: a ausencia do Estado, o surgimento do tráfico como um negócio rentável, a multiplicação da mão de obra barata, produzida por uma população que foi crescendo nas favelas, à margem da cidade e da cidadania, só se fazendo visivel  enquanto produtora de votos, samba e crimes. Tudo isso, aliado à corrupção que se tornou endêmica e descarada, só podia dar no que deu!

O tráfico ocupou o vazio deixado pelo Estado, e vem submetendo essa população imensa e trabalhadora, que habita as favelas, a um regimen de terror e medo! Não falta quem procure vitimizar os bandidos, sob argumento de que são “monstros” criados pelo sistema. E, sendo assim, tão vítimas quanto os moradores que oprimem!

Epa! mas não mesmo! o Estado tem culpa? tem, sim senhor, porque ao abandonar essas comunidades, abriu espaço para que aqueles de pior instinto tomassem o poder e o exercessem com toda a crueldade de que são capazes! O que eu quero dizer é que nenhuma dessas condições de que falamos acima, criou um Elias Maluco. Mas elas criaram o terreno para a ascenção de gente como ele. Elas fizeram de suas distorções morais, qualidades desejáveis para o comando do tipo de negócios que ele gere.

Cruel Elias Maluco seria sempre, nascido onde nasceu ou em qualquer outro ambiente social. Vivendo hoje ou em qualquer século. A diferença é o espaço e o incentivo que cada época dá aos talentos naturais de uma pessoa. Não era em qualquer tempo nem em qualquer lugar, que Elias Maluco ia poder  montar Tribunais, dar sentenças de morte, nem torturar e queimar pessoas em pneus como fez com Tim Lopes.

É claro que nem todos são Elias Maluco! nem todos tem as “qualidades” necessárias para ocupar o lugar dos chefes que conhecemos hoje. Outros terão: nos temos visto, ao longo do tempo,  que a cada leva de dirigentes que desaparece, sucede outra ainda mais  cruel.

Mas também é verdade que existem muitos jovens, que entraram nessa atraídos pelo dinheiro, a sensação de poder e glamour que a participação no “movimento” empresta a eles. Esses podem muito bem ser recuperados. E devem ser.

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