Ontem, no capítulo de O Clone (Vale a pena ver de novo), o Lobato ( Osmar Prado ) recitou trecho de um soneto do Juvenal Antunes, e muita gente escreveu, curiosa pelo soneto inteiro.
O Juvenal Antunes foi para o Acre, nas primeiras décadas do século passado, como promotor de Justiça, mas era mesmo um boêmio inveterado. Não se enganem com a foto: o terno nunca foi seu uniforme: passava os dias metido num robe, na porta do hotel Madrid, onde vivia em Rio Branco, bebendo, fazendo versos e proclamando seu amor à Laura, mulher casada que lhe inspirou os mais belos sonetos. Arredar o pé dali? nem pra receber o ordenado, que lhe chegava por exercícios findos!
Armando Nogueira chegou a conhecê-lo, ainda menino. À caminho do grupo escolar, costumava parar na frente do hotel Madrid para ouvir o poeta, e conta que foi assim que se apaixonou pelas palavras, pela arte da escrita.
Aí vai o soneto:
Vai-te. Toda paixão na nossa idade
E creio até que em idade mais madura
Por mais que dure não será tão dura
Que resista do tempo a tempestade
Recuperemos, pois, a liberdade!
Bendito o mal, e mais bendita a cura
Adeus, forma gentil de uma alma pura
Sonho que se desfez em realidade
Queres arcar com as leis do fatalismo
Toca decerto as raias do heroismo,
A persistência com que tudo arrostas
Eu, no entanto, confesso-me vencido:
-não posso assim viver, de horror transido
Com um cadaver de amor pregado às costas

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