Correspondencia

De Euclydes para Dilermando – janeiro de 1906

Obs. quando Euclydes voltou do Acre, em 1906, Dilermando se retirou da casa onde estava morando com Saninha. Temendo ser alvo das desconfianças de Euclydes, escreve uma carta com o intuito de afastar suspeitas. Euclydes responde:

Dilermando,

não querendo demorar a resposta à sua carta de ontem, escrevo-lhe neste papel, certo de que me desculpará. A minha resposta é simples: há grande, absoluto engano no que imagina. A questão é muito outra — e você é inteiramente estranho a ela. Veja o inconveniente de se tirarem deduções de atos e palavras isoladas. Além disso, apesar de aborrecido por um sem número de contrariedades, julgo que não o trato mal. Na sua idade nunca se é um homem baixo. Não creia que lhe houvesse feito tal injustiça. A minha casa continua aberta sempre aos que são dignos e bons. Não poderá fechar-se para você. Quando souber a razão do meu aborrecimento, avaliará a injustiça que fez a si próprio e a mim. Até sábado. Estude, seja sempre o mesmo rapaz de nobres sentimentos, e disponha dos poucos préstimos do am, crdo, obr,

Euclides da Cunha.”

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