A crueldade em foco

O assunto da semana foi a enfermeira Camila Correa, que espancou um cãozinho yorkshire até a morte.

Levada à delegacia, declarou-se muito arrependida e enumerou os sofrimentos a que está sendo submetida: ter que mudar de casa, pagar fiança, enfrentar um processo e viver o medo de retaliações maiores. Sem, em momento algum, incluir no seu arrependimento o sofrimento infligido ao animal.

O que me deu medo mesmo foi ouvi-la admitir que não estava nervosa nem com raiva quando submeteu o pequeno yorkshire àquela sessão de tortura! e completar dizendo que, para ela, estava fazendo uma coisa “normal”!

Essa capacidade de exercer a crueldade torna-se mais assustadora quando estamos falando de uma enfermeira, cujo o trabalho consiste em lidar com pessoas doentes, tão indefesas quanto aquele yorkshire.

Lamento que a discussão  tenha sido levada para outros terrenos, e chegado até ao excesso das ameaças físicas. O que deveria mesmo estar em foco é essa constatação de que alguns seres humanos nascem assim, sem empatia nenhuma pelos outros, e portanto capazes de promover a dor alheia sem sequer necessitar do estímulo  de um descontrole emocional.

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