O mal não tem rosto

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Parecem pessoas de bem, não é? e todos eles ligados a áreas onde se esperaria encontrar gente com muita humanidade: médico, enfermeira, assistente social! e ao invés de salvar vidas, como era de se esperar, os três se uniram para destruir a vida de uma criança de 11 anos de idade!

Está na hora de uma reflexão sobre a maneira como vem sendo conduzido, entre nos, o atendimento a crianças que denunciam maus tratos e manifestam desejo de não voltar para a casa!

A gente concorda que o ideal é  a reconstituição dos laços familiares. Mas  o ideal nem sempre é o possível, e a todo momento, em nome do desfecho “ideal”, estão morrendo crianças.  Não faz muito tempo, só pra lembrar mais um exemplo, tivemos o caso dos irmãos em Ribeirão Pires, assassinados pelo pai e pela madrasta com quem pediram muitas vezes para não mais conviver!

As crianças são simplesmente devolvidas à família, e pelo visto não se faz nenhum monitoramento.  Permanecem esquecidas até que terminem assim, como o Bernardo, como os irmãos de Ribeirão Pires!

 

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Quando os Emmys se encontram…

E aqui estamos nos, dando partida ao projeto, a série de suspense  Dupla Identidade

Amora Mautner não conseguiu se desvencilhar dos compromissos anteriores, e o tempo “rugia”: veio o Maurinho Mendonça, com as devidas benções -as minhas e as da diretora que vai.

Aí o registro do nosso primeiro encontro: simpatia, sintonia, vontade de fazer o melhor, tudo o que se precisa para mergulhar com segurançha nos misterios da “Dupla Identidade!

E vamos nos!
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e o Complexo do Alemão???

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Foi ousado e oportuno trazer o Alemão como cenário principal de uma novela das 21 horas. E pela primeira vez, na história das telenovelas, uma garota favelada foi protagonista.

Vivíamos, então, o impacto da retomada daquela área submetida durante tantos anos ao poder paralelo do tráfico.

É claro que aqueles momentos históricos, quando as bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro foram fincadas no topo do morro, sinalizando o resgate da cidadania daquela população, não significaram o fim de uma caminhada, mas o primeiro passo.

Triste ler as noticias sobre os tiroteios e o retorno gradual dos traficantes. Vamos ficar atentos. Não podemos perder de novo o Alemão.

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Serial Mother

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Wilma, aquela que sequestrou o Pedrinho, horas depois de seu nascimento numa maternidade de Brasilia, em 1986, está lançando um livro de memórias.

Pra quem não lembra, Pedrinho foi localizado 16 anos depois em Goiania, registrado como filho legítimo de Wilma.

Além de Pedrinho, Wilma sequestrou também a Roberta Jammily, e como o resto da prole recusou-se a fazer o exame de DNA, a conta oficial fica sendo essa.

No livro, Wilma se defende e explica: eu não roubei meus filhos -eu comprei!

Aff, hem Vilma?

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Yes, nos temos Morena!

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Sim. Morena Baccarin leu, gostou e aceitou fazer Dupla Identidade: Gostei muito do roteiro! Achei interessante e muito diferente dos programas típicos da Globo.

Depois do primeiro contato por mail, conversamos pelo skype. Além de excelente atriz, Morena é uma simpatia.

Agora é esperar o resultado das negociações.

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Acabei de ler…

A Civilização do espetaculo

Depois de Debbord: “A Sociedade do espetáculo”, Vargas Llosa lança o seu “A Civilização do espetáculo”. Um belo livro, um convite a pensar a  maneira como a sociedade contemporânea vem transformando o conceito de cultura que até então conhecíamos:

No passado, a cultura foi uma espécie de consciencia que impedia que virássemos as costas para a realidade. Agora, atua como mecanismo de distração e entretenimento. A banalização das artes e da literatura, o triunfo do jornalismo sensacionalista e a frivolidade da política. sao sintomas de um mal maior que afeta a sociedade contemporânea: a idéia temerária de converter em bem supremo nossa natural propensao a nos divertirmos.

A queima roupaPimenta Neves-uma reportagem

Saíram dois sobre o caso Pimenta Neves: ambos vão além da simples narrativa do crime. Nos levam a conhecer o cotidiano das redações dos jornais, suas mazelas, o jogo de poder que se estabelece em seus bastidores. E mostram como  a tolerância às pequenas tiranias do dia a dia,  acabam estimulando a expansão das piores caracteristicas de uma personalidade, podendo desembocar, como no caso em questão, na violencia e no crime.

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Revisitando Carmem

Pra vocês, a abertura e a primeira cena de “Carmem”.

Ganhei alguns capítulos copiados da RD1. E emocionei, constatando o quanto Carmem continua atual! Estamos falando de 1987 (TV Manchete).

Confiram!

COMPLEMENTO:

Quando fui para a Manchete, em 87, a idéía era levar comigo a sinopse de Barriga de Aluguel, engavetada desde 86, porque o tema -então inédito-, foi tido como “fantasioso”e “inverossímil”.

Não me deixaram levar. E assim nasceu CARMEM, inspirada no conto de Mérimée (1845) e na ópera de Bizet (1875).

Havia o problema da verossimilhança: CARMEN é uma cigana que apaixona e enlouquece todos os homens que cruzam seu caminho. Por mais bela que fosse uma atriz, sua sensualidade devastadora não seria convincente para todo mundo. Pensei, então, numa saída mágica: a CARMEM original é uma cigana -daí nasceu a idéia do pacto da personagem com uma entidade cigana que encarna a feminilidade. Ninguém discutiria o mágico. E ninguém discutiu.

CARMEM tem um temperamento livre, forte e independente. Está loucamente apaixonada por um cafageste ambicioso, o Ciro (Paulo Betti), e o acompanha numa viagem a Machu Picchu (Peru). Ele  deixa que ela corra o risco de desembarcar com drogas no Brasil e de ser presa, como efetivamente foi, para abancona-la depois.

CARMEM  sofre as penas do inferno nas mãos do Ciro: quer a desforra, quer tê-lo a seus pés, quer  nunca mais sofrer por amor. Então  faz o pacto   que lhe confere o poder sobre todos os homens, mas a um preço:  nunca mais poderá amar! o homem que ela amar se afastará dela.

A novela é a trajetória de CARMEM, sua vitoria sobre Ciro, seu arrependimento, e a luta pra desfazer o pacto.

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A boa surprêsa é o lançamento dessa ediçāo dos Karamazov traduzida diretamente do russo. Até entāo só podiamos ler Dostoievsky traduzido do francês ou do inglês.

Vale a pena a releitura.

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escrevendo sobre o tráfico de bebês

Procuramos nossas mães

 

Outro assunto muito doloroso abordado em Salve Jorge foi o tráfico de bebês brasileiros para o exterior. Estima-se que mais de 2000 foram levados para fora do país na década de 80.

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Fiz uma longa pesquisa para escrever essa história, conversando com esses filhos que hoje procuram suas mães, com mães que  procuram seus filhos e, até, com as pessoas que viveram desse tráfico.

A arte do escritor  é incorporar as emoções e o ponto de vista de cada um dos envolvidos. Assim nascem os diálogos. Do exercício de entrar na pele de cada uma das personagens  sem julgamento nem critica: pensar como ela pensa, falar como ela fala, incorporar sua visão de mundo: esse é o desafio.

As situações do tráfico de bebes em Salve Jorge me foram contadas por pessoas que traficaram bebes para o exterior: a negociação com intermediários e pais adotivos, o transporte dos récem-nascidos nas sacolas ou bolsas de griffe, a chupetinha mágica, a cumplicidade de pessoas de vários setores  -de empregados de hotel a cartórios, médicos e policiais.

Para ilustrar o assunto, posto uma cena da novela: é um trecho do interrogatório de Wanda e Berna pela delegada Helo.

O video você pode ver AQUI

A mesma cena no script:

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Brasileiros traficados para o exterior

Muita gente confunde a imigração ilegal com tráfico humano: são coisas bem diferentes.

Na imigração ilegal, paga-se o coyote para possibilitar e conduzir a entrada ilegal no país (no caso da novela “América”, EUA), e a relação termina aí. No tráfico humano (para prostituição ou outro tipo de trabalho), ela continua no outro país, sob a forma de escravidão por dívida.

Em “Salve Jorge” falei dos brasileiros que vão buscar lá fora uma vida melhor, e acabam vítimas dessa máfia internacional e poderosa, que movimenta, segundo dados da ONU, 32 bilhões de dólares por ano, traficando e escravizando gente. Um crime rentável e praticamente invisível, porque as vítimas, mesmo quando conseguem escapar, preferem não denunciar, por medo das ameaças da quadrilha ou pelo constrangimento de ver expostas, ao público, as humilhações a que foram submetidas.

Ana Lucia falou. Ela foi traficada para Israel em 1993, iludida por uma falsa promessa de trabalho como atendente de uma lanchonete. Resgatada pela Policia Federal depois de 4 meses prisioneira, foram muitas e dolorosas as consequências em sua vida pessoal. Mas disso não falaremos aqui.


Nos capitulos a gente trabalha esses sentimentos através de muitas cenas, explorando nuances e pontos de vista.

Aqui vai uma: é o momento em que Morena conta para Sheila que foi traficada. Conta de maneira nervosa e apressada -alguém pode chegar a qualquer momento,  não há tempo para aprofundar as emoções.

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Ainda o sonho americano

Travessia

Uma história real que me impressionou muito na pesquisa da novela América foi essa, vivida pela personagem da Bete Mendes. Consegui localizar, através de integrantes do grupo, o irmão da moça e ouvi, dele também, o relato da tragédia que viveram na travessia do deserto.

Os dois vinham de uma cidade pequena do interior de Minas e tentavam, juntos, o sonho americano. A moça foi picada por uma cobra, e não havia socorro possível: a picada era mortal e a agonia longa. Ficando ao lado dela, o grupo corria o risco de ser pego pela polícia da fronteira. Para não abandona-la agonizando sozinha,  optaram pelo tiro de misericórdia, e ela foi morta com uma bala na cabeça.

Quando encontrei o irmão ele se preparava para tentar mais uma vez…!

 

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